Oracle planeja milhares de demissões ante disparada de custos com data center, diz Bloomberg

Em uma reviravolta que choca o setor de tecnologia, a Oracle (ORCL) está planejando demitir milhares de funcionários globalmente. A informação, divulgada pela Bloomberg News e confirmada por múltiplas fontes, aponta que a empresa enfrenta uma aguda crise de caixa gerada pelos custos astronômicos de sua expansão em infraestrutura de inteligência artificial (IA) .
O plano de redução de quadro, que pode ser implementado já neste mês de março, é descrito por pessoas familiarizadas com o assunto como um movimento mais amplo e profundo do que os cortes recorrentes que a empresa costuma realizar . Como parte dessa reestruturação, a Oracle já teria iniciado uma revisão de todas as vagas abertas em sua divisão de nuvem, efetivamente desacelerando ou congelando o processo de contratação .
A Aposta Bilionária que Apertou o Cinto
Por trás da medida extrema está a ambiciosa – e custosa – transformação da Oracle. Liderada pelo chairman Larry Ellison, a companhia, tradicionalmente conhecida por seus bancos de dados, tem investido pesado para se tornar uma potência no mercado de computação em nuvem, com um foco especial em IA. O objetivo é competir de igual para igual com gigantes como Amazon e Microsoft .
O grande impulso para essa estratégia veio de um acordo monumental avaliado em impressionantes US$ 300 bilhões com a OpenAI, criadora do ChatGPT, além de contratos com outras gigantes como Nvidia, Meta, xAI (de Elon Musk) e AMD . No entanto, para atender a essa demanda, a Oracle precisa construir uma capacidade massiva de centros de processamento de dados, o que exige um fluxo de capital igualmente massivo.
Em fevereiro, a empresa já havia acendido o sinal de alerta no mercado ao anunciar planos de captar entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões neste ano, por meio de uma combinação de dívida e venda de ações, para financiar a expansão de sua infraestrutura de nuvem .
O Mercado Reage com Ceticismo e Pânico
A estratégia agressiva de endividamento, no entanto, não está agradando aos investidores. As ações da Oracle despencaram cerca de 54% desde as máximas registradas em setembro de 2025, acumulando uma perda de 16% apenas no início de 2026 . O temor é que o retorno sobre este investimento bilionário demore a chegar – projeções de Wall Street indicam que o fluxo de caixa da empresa pode permanecer negativo até 2030 .
"Estamos entrando na fase final para os valores expostos à IA; é agora ou nunca", explicou Michael Field, estrategista-chefe da Morningstar, ao site Bolsamanía. "O problema para a Oracle é que ela está diluindo os acionistas atuais e assumindo mais dívida para financiar esta investida, daí o descontentamento do mercado" .
O clima de desconfiança é agravado por outros fatores:
Fluxo de caixa negativo: A empresa registrou um fluxo de caixa livre negativo de mais de US$ 10 bilhões em um único trimestre recente .
Processo judicial: A Oracle enfrenta uma ação coletiva movida por detentores de títulos, que a acusam de não ter divulgado adequadamente a necessidade de levantar mais dívidas quando emitiu US$ 18 bilhões em bonds em setembro .
Rebaixamento de perspectivas: Grandes bancos como Morgan Stanley e UBS reduziram drasticamente seus preços-alvo para as ações, citando a "pequena margem para erros" no plano de expansão da empresa .
IA como Faca de Dois Gumes
A situação da Oracle reflete um fenômeno mais amplo no setor: o alto custo inicial da corrida pela inteligência artificial. Em 2023 e 2024, qualquer anúncio relacionado à IA era celebrado. Agora, o mercado exige retornos mais visíveis e prazos mais curtos, penalizando empresas cujo crescimento depende de endividamento excessivo .
Os cortes na Oracle não são um caso isolado. A Microsoft, por exemplo, demitiu cerca de 15 mil pessoas no ano passado em meio ao aumento dos gastos com data centers, e a Block, de Jack Dorsey, anunciou recentemente a demissão de quase metade de sua equipe, citando a IA como ferramenta de eficiência .
A própria Oracle já havia previsto uma grande reestruturação. Em setembro, a empresa revelou em um documento regulatório que planejava o maior processo de reestruturação de sua história, com um custo estimado de até US$ 1,6 bilhão para o ano fiscal atual, destinado a indenizações trabalhistas .
A empresa, que contava com cerca de 162 mil funcionários em tempo integral até maio de 2025, segundo seus registros, não comentou oficialmente as informações sobre as demissões . O mercado agora aguarda com expectativa o anúncio dos resultados fiscais do terceiro trimestre, marcado para a próxima terça-feira, que deverá trazer mais detalhes sobre a saúde financeira da companhia e seus planos futuros .




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