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Costa Rica,09/03/2026

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Oracle planeja milhares de demissões ante disparada de custos com data center, diz Bloomberg

BOLSAOINFORMA.COM.BR
Oracle planeja milhares de demissões ante disparada de custos com data center, diz Bloomberg

Em uma reviravolta que choca o setor de tecnologia, a Oracle (ORCL) está planejando demitir milhares de funcionários globalmente. A informação, divulgada pela Bloomberg News e confirmada por múltiplas fontes, aponta que a empresa enfrenta uma aguda crise de caixa gerada pelos custos astronômicos de sua expansão em infraestrutura de inteligência artificial (IA) .

O plano de redução de quadro, que pode ser implementado já neste mês de março, é descrito por pessoas familiarizadas com o assunto como um movimento mais amplo e profundo do que os cortes recorrentes que a empresa costuma realizar . Como parte dessa reestruturação, a Oracle já teria iniciado uma revisão de todas as vagas abertas em sua divisão de nuvem, efetivamente desacelerando ou congelando o processo de contratação .

A Aposta Bilionária que Apertou o Cinto

Por trás da medida extrema está a ambiciosa – e custosa – transformação da Oracle. Liderada pelo chairman Larry Ellison, a companhia, tradicionalmente conhecida por seus bancos de dados, tem investido pesado para se tornar uma potência no mercado de computação em nuvem, com um foco especial em IA. O objetivo é competir de igual para igual com gigantes como Amazon e Microsoft .

O grande impulso para essa estratégia veio de um acordo monumental avaliado em impressionantes US$ 300 bilhões com a OpenAI, criadora do ChatGPT, além de contratos com outras gigantes como Nvidia, Meta, xAI (de Elon Musk) e AMD . No entanto, para atender a essa demanda, a Oracle precisa construir uma capacidade massiva de centros de processamento de dados, o que exige um fluxo de capital igualmente massivo.

Em fevereiro, a empresa já havia acendido o sinal de alerta no mercado ao anunciar planos de captar entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões neste ano, por meio de uma combinação de dívida e venda de ações, para financiar a expansão de sua infraestrutura de nuvem .

O Mercado Reage com Ceticismo e Pânico

A estratégia agressiva de endividamento, no entanto, não está agradando aos investidores. As ações da Oracle despencaram cerca de 54% desde as máximas registradas em setembro de 2025, acumulando uma perda de 16% apenas no início de 2026 . O temor é que o retorno sobre este investimento bilionário demore a chegar – projeções de Wall Street indicam que o fluxo de caixa da empresa pode permanecer negativo até 2030 .

"Estamos entrando na fase final para os valores expostos à IA; é agora ou nunca", explicou Michael Field, estrategista-chefe da Morningstar, ao site Bolsamanía. "O problema para a Oracle é que ela está diluindo os acionistas atuais e assumindo mais dívida para financiar esta investida, daí o descontentamento do mercado" .

O clima de desconfiança é agravado por outros fatores:

  • Fluxo de caixa negativo: A empresa registrou um fluxo de caixa livre negativo de mais de US$ 10 bilhões em um único trimestre recente .

  • Processo judicial: A Oracle enfrenta uma ação coletiva movida por detentores de títulos, que a acusam de não ter divulgado adequadamente a necessidade de levantar mais dívidas quando emitiu US$ 18 bilhões em bonds em setembro .

  • Rebaixamento de perspectivas: Grandes bancos como Morgan Stanley e UBS reduziram drasticamente seus preços-alvo para as ações, citando a "pequena margem para erros" no plano de expansão da empresa .

IA como Faca de Dois Gumes

A situação da Oracle reflete um fenômeno mais amplo no setor: o alto custo inicial da corrida pela inteligência artificial. Em 2023 e 2024, qualquer anúncio relacionado à IA era celebrado. Agora, o mercado exige retornos mais visíveis e prazos mais curtos, penalizando empresas cujo crescimento depende de endividamento excessivo .

Os cortes na Oracle não são um caso isolado. A Microsoft, por exemplo, demitiu cerca de 15 mil pessoas no ano passado em meio ao aumento dos gastos com data centers, e a Block, de Jack Dorsey, anunciou recentemente a demissão de quase metade de sua equipe, citando a IA como ferramenta de eficiência .

A própria Oracle já havia previsto uma grande reestruturação. Em setembro, a empresa revelou em um documento regulatório que planejava o maior processo de reestruturação de sua história, com um custo estimado de até US$ 1,6 bilhão para o ano fiscal atual, destinado a indenizações trabalhistas .

A empresa, que contava com cerca de 162 mil funcionários em tempo integral até maio de 2025, segundo seus registros, não comentou oficialmente as informações sobre as demissões . O mercado agora aguarda com expectativa o anúncio dos resultados fiscais do terceiro trimestre, marcado para a próxima terça-feira, que deverá trazer mais detalhes sobre a saúde financeira da companhia e seus planos futuros .




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